No nosso caminhar, desde os tempos da infância, escutamos sobre a importância de buscarmos um sentido para o nosso viver. Os propósitos de vida. Muito é dito, mas, na verdade, pouco se diz. Do que se trata esse sentido?
“Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia” (CAMUS, 2020, p. 17). Existem pessoas que se deixam morrer a cada dia por não trazerem sentido para vida. Também se deixam morrer, pessoas que tanto ‘encontram’ e seguem cegamente razões e propósitos de vida. Qual delas vive com mais sentido?
A vida é desafiante. Muitas vezes, encontram-se mais abismos no caminho do que pontes. Como não se deixar cair? Pensar na queda, no medo de se reerguer e na impossibilidade de encontrar propósitos de vida após a queda, já é deixar-se cair. A cada momento que paralisamos pelo medo da queda é um passo para dentro do abismo.
Qual o tamanho desse abismo e do que se trata essa queda? Quando abandonamos a nós mesmos, quando não nos escutamos, quando ‘abrimos mão’ dos nossos gostos e quereres. Quando colocamos o desejo do outro acima do nosso. Quando fazemos escolhas que divergem dos nossos valores. Quando nos relacionamos com pessoas que não nos sentimos à vontade. Quando, somando todos esses ‘quandos’ e mais, deixamos de existir para nós mesmos e, consequentemente, para os outros. Estas pequenas quedas, que distanciam do nosso ser, tornam o tamanho do nosso próprio abismo.
Sim, nós construímos os nossos abismos, mas somos nós que construímos as pontes para travessias. A vida em si, talvez, não tenha um sentido, pode ser que seja mais lógico do que simbólico. Talvez se trate mais do orgânico, da matéria e da natureza. O sentido da vida é construído pelo suportar os nossos abismos e pela nossa capacidade criativa e amorosa de construir as nossas pontes. Pontes que fazem sentido para o nosso ser e existir.

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